Arquivo de julho, 2012

Desde que o Samba é Samba

Publicado: 4 de julho de 2012 em Uncategorized

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Estava fazendo minha caminhada no horário de almoço, há alguns dias atrás, e como de costume, dei uma parada na Livraria Saraiva da Rua São Bento no Centro velho.

Queria comprar o livro Não sou um anjo, do escritor inglês Tom Bower, com a colaboração do Reginaldo Leme, sobre a biografia do mandatário da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, como alguns sabem gosto de automobilismo em geral.

Apesar da certeza de que brasileiro não gosta de Fórmula 1, brasileiro gosta do Ayrton Senna, recomendo a leitura, já que todos nós sabemos como o circo da F1 é podre, mas sinceramente não imaginava tanto assim, mas isso é uma outra história.

Na saída da livraria deparei-me com um livro que só pelo título, sem hesitar, voltei e solicitei também ao vendedor sem saber quem era o autor, do que se tratava e muito menos do valor.

O título do livro é Desde que o samba é samba, tenho certeza que a maioria que gosta de samba, como eu, também teria a mesma atitude.

O livro foi escritor Paulo Lins e a editora é a Planeta, que comprou seu passe em 2004, por 100 mil dólares, depois do grande sucesso de Cidade de Deus, seu primeiro livro.

Numa mistura de ficção e fatos verídicos o livro narra a história do triangulo amoroso entre Brancura-Valdirene-Sodré e a fundação da primeira escola de samba do Brasil, Deixa Falar, por Ismael Silva, Bide entre outros e também a participação de Francisco Alves, Carmem Miranda, Manuel Bandeira e Mário de Andrade e as festas nos terreiros de Candomblé e Umbanda do bairro do Estácio.

No início do livro, uma grande parte o autor narra a história do triangulo amoroso, confesso que fiquei um pouco decepcionado, mas seguindo entendi que era necessário para a história e depois quando entra na parte da fundação da Deixa Falar, as composições de Ismael Silva e principalmente a criação e introdução dos instrumento feita por Bide é muito interessante.

Paulo Lins causa polemica no livro ao afirmar que Ismael Silva era gay o que gerou algumas discussões na internet.

“Já tinha ouvido falar sobre isso, só que eu nunca vi gesto, atitude ou mesmo uma frase dele que o identificassem como gay.
Qual a importância das preferências sexuais de um compositor para a história do samba carioca?”  Sérgio Cabral, jornalista e escritor

 “A prova é pífia, pois ele diz que ouviu de uma pessoa que lhe afirmou categoricamente.” Flávio Moreira da Costa, autor, entre outros, da biografia de Nelson Cavaquinho

“Nas ocasiões em que estive com ele, nada me fez suspeitar disso.”  Haroldo Costa, sambista e pesquisador

Texto da contracapa do livro escrito por Heloisa Buarque de Hollanda.

“Paulo Lins depois do sucesso de Cidade de Deus, volta no tempo e empresta sua voz para dar a vez à cidade marginal da década de 1920. E faz isso através de um mergulho profundo pelos pontos cardeais do samba, como o Largo do Estácio, a Praça Onze, os terreiros de Candomblé, da Umbanda, ou as festas na tia Ciata e no Buraco Quente da Mangueira.

Desde que o samba é samba é uma incrível cartografia do mundo da malandragem (e mesmo da violência) nos morros e bairros onde a cultura carioca foi gestada. Personagens como Brancura, Sodré, Valdirene, Bide e Pixinguinha mesclam-se com Manuel Bandeira, Ismael Silva, Augusto Frederico Schmidt, Heitor dos Prazeres, Mário de Andrade, Cartola, Seu Tranca-Rua, Dona Maria Padilha, Seu Zé Pelintra, tecendo uma trama imbricada de amores, falsidades, traições e muito samba.

Uma trama na qual Paulo Lins, de forma inesperada, desvenda o DNA do universo contundente que havia revelado em Cidade de Deus, seu primeiro livro.”

Postado por: Tiano Araujo
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