HISTÓRIA DO SAMBA PAULISTA

Publicado: 12 de janeiro de 2012 em Uncategorized

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Henricão
(Henrique Filipe da Costa), cantor e compositor, nasceu em Itapira/SP, em 11/01/1908, e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 11/06/1984. Motorista de madame na rua Augusta, em São Paulo, exibido, na beleza de seus quase dois metros de altura, pela patroa orgulhosa, cuja família ele considerava sua. Nunca negou a origem humilde nem as dificuldades pelas quais passou, mesmo tendo em seu currículo sucessos nacionais – e internacionais –, além de vendagens recordes de discos para sua época.

A grande paixão era a Escola de Samba Vai-Vai, que ele viu ser fundada como cordão carnavalesco e para a qual compôs vários sambas. Cantou em circo, em parques de diversão, em rádios, nas festas populares do Nordeste. Sozinho e com algumas parceiras, das quais Carmen Costa seria a mais famosa e teria mais êxito de público e mídia que seu lançador.

Foi o primeiro Rei Momo negro da história do carnaval (com alguns seguidores no futuro) e sua figura imponente, risonha e bela ainda nos últimos dias, era recebida com alegria e reverência por todos.

Ninguém como ele alcançou sucesso fazendo versão. Já era bastante conhecido por seu Só vendo que beleza (chamada mais por Marambaia, mas depois ele acabou usando esse nome para uma música que seria “resposta” ao Só vendo que beleza) quando ouviu o tango Caminito (Gabino Peñaloza / Juan de Dios Filiberto) e criou uma versão livre em samba chamada Carmelito, que foi um furor nacional. Já ao lado de Carmem Costa, repetiu a dose ao criar Está chegando a hora (com seu parceiro favorito Rubens Campos), baseada na canção mexicana Cielito lindo (Fernandez), outro sucesso fenomenal, cantado até hoje.

Foi parceiro de grandes sambistas. Além de Rubens Campos, compuseram com ele nomes como os de Buci Moreira, Príncipe Pretinho, Caco Velho, entre outros. Entre suas várias parceiras, antecessoras de Carmen Costa, destacaram-se a paulistana Risoleta – que fez sucesso solo no teatro de revista – e a carioca Sarita.

Confessa no programa que passou fome, mesmo famoso, mas teve sempre a ajuda de amigos e “tocou a vida”, como afirmava, sempre com otimismo e esperança. Se ganhasse um centavo por cada vez que se cantava Está chegando a hora, teria enriquecido. No final da vida reencontrou-se com a eterna parceira Carmem Costa, que participou de sua última gravação (1980), o LP Henricão – Recomeço, pelo Estúdio Eldorado de São Paulo. Não teve repercussão de público – hoje é peça rara, procurada por pesquisadores e colecionadores – e foi o canto do cisne dessa importante figura da música popular brasileira.

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Geraldo Filme (Geraldo Filme de Sousa), compositor, nasceu em São João da Boa Vista, SP, em 1928, e faleceu em São Paulo, SP, em 5/1/1995. Chegou a São Paulo com cinco anos de idade.
Criado na Barra Funda, foi entregador de marmitas, ficando conhecido como Negrinho das Marmitas. Compunha sambas para o cordão carnavalesco Paulistano da Glória, do qual seria refundador quando o cordão se tornou escola de samba.
Iniciou sua carreira trabalhando nas escolas de samba Coloração do Brás e Vai-Vai, na qual foi diretor de Carnaval e campeão com seu samba Solano, vento forte africano, em homenagem ao folclorista Solano Trindade.
Cronista da gente e da cidade, cantou em seus sambas principalmente o bairro do Bexiga, pelo qual tinha carinho especial.
Aos 52 anos, lançou seu primeiro LP, Geraldo Filme, pela Eldorado, com texto de Plínio Marcos. Da parceria com Plinio Marcos nos palcos resultaram Balbina de Yansã e também o musical de grande sucesso Pagodeiros da Paulicéia.

Fundador da escola de samba Unidos do Peruche, compôs em homenagem ao Pato N’Água, na morte do amigo, o samba Silêncio no Bixiga, gravado por Beth Carvalho no CD Beth Carvalho canta o samba de São Paulo. Neste disco aparece ainda Tradição, outro samba do compositor com a Anhembanda, a banda carnavalesca do centro Anhembi.
Em dezembro de 1994, participou de show no Anhembi com sambistas da velha guarda. Quando faleceu, trabalhava como coordenador de Carnavais de Bairro, no Anhembi, e era assessor da diretoria executiva da Vai-Vai.

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Seu Nenê da Vila Matilde (Alberto Alves da Silva) – nasceu em 24/07/1921 e faleceu em São Paulo no dia 04/10/2010 aos 89 anos de idade.Nenê da Vila Matilde fundou a escola em 1949 e ficou 47 anos à frente da presidência. Em 1996, por já apresentar problemas de saúde, o comando passou ao seu filho, Alberto Alves da Silva Filho, o Betinho. Ainda assim, ele continuou a desfilar todos os anos.
A Nenê de Vila Matilde é considerada uma das escolas de samba mais tradicionais da cidade e possui onze títulos do Carnaval de São Paulo. O 1º a escola conquistou em 1956, com um enredo sobre Casa Grande e Senzala, e nos três seguintes a escola também foi campeã.

Seu Nenê contou que estava no teatro Santana, em São Paulo, assistindo a um show do sambista Paulo Benjamim de Oliveira, (que enfatizava a marcação do surdo na marcha do samba), quando se apaixonou pelo azul e branco das roupas dos integrantes. “Fiquei fascinado pelas cores, então resolvi adotá-las para a Nenê”, explica o Cacique.

Em 1985 aconteceu aquilo que é a maior glória até hoje para uma escola de samba paulistana: como campeã da cidade, a Nenê de Vila Matilde foi convidada a pisar no chão sagrado da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, para participar do desfile das campeãs, ao lado da Mocidade Independente e da Beija-Flor, respectivamente campeã e vice daquele carnaval. E lá foi o pessoal da Zona Leste mostrar o seu valor e a sua arte, comandados pelo Seu Nenê e embalados pela voz do seu grande intérprete Armando da Mangueira. Tal feito mereceu até uma menção no samba de 1988, “E o poeta falou: Zona Leste somos nós!!!”. O primeiro refrão diz “Está tudo aí para você curtir / do Largo do Peixe à Sapucaí”. Assim como a sua madrinha Portela – de quem herdou as cores e a Águia como símbolo – a Nenê é tradição quando o assunto é samba. Uma tradição que será preservada a cada carnaval pelo povo de uma região inteira da cidade de São Paulo.

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Talismã (Octávio da Silva) –  nasceu no bairro da Piedade, no Rio de Janeiro, e foi por muitos anos integrante da Acadêmicos de Rocha Miranda. Trazido pelo patriarca da Escola de Samba Camisa Verde e Branco, o inesquecível Inocêncio Tobias, em 1967, chegou à terra da garoa, tornando-se uma lenda não só nas cores da Camisa Verde e Branco, mas também na História do Samba Paulista e Paulistano. Talismã, o querido “Mumu” como também era conhecido, se destacava por ser talentoso: compositor por excelência, criador de enredos e artista plástico, encantou com belos versos, melodias e requintadas obras plásticas a cidade de São Paulo. Embora um gênio, gozava de outro talento que o tornava muito mais especial: a HUMILDADE, virtude que somente as pessoas iluminadas como Mumu, carregam consigo. Talismã era especial porque ajudava diversos sambistas que, mesmo competentes no desenvolvimento da construção das letras dos sambas, pecavam no desenvolvimento melódico.
Além do hino “Sou Verde e Branco” e do hino do carnaval paulistano “ A Biografia do Samba”, Talismã compôs os seguintes sambas: “Há um nome gravado na história – 13 de Maio”, “Festa das Flores”, “Sonho Colorido de um Pintor”, “Literatura de Cordel”, “Negros Maravilhosos”, “Mutuo Mundo Kitoko”. Além das inegualáveis poesias,Mestre Talismã desenvolvia alegorias e em 1986, cerrou fileiras junto a Augusto Henrique na realização de “Fantasia Sonho Sem Fim”.
“Sou verde e branco, Até a morte”!
. MESTRE TALISMÃ, O GÊNIO DA CANETA DE OURO!!!

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Zeca da Casa Verde (José Francisco da Silva), compositor e cantor, nasceu em São Paulo SP 23/4/1927 e faleceu na mesma cidade em 19/8/1994. Por 1940 começou a participar, como passista, da Primeira Escola de Samba de São Paulo, no morro das Perdizes. Em 1945, cantava nos programas da Rádio América.
No início da década de 1950, montou o Trio Aquarela.

Compôs vários sambas-enredo para várias escolas de samba entre elas Morro da Casa Verde,Camisa Verde e Branco, Rosas de Ouro,na cidade de Tupã (1981)
Gravou várias faixas em discos, participou em peças de teatro com Plínio Marcos (Quem Canta Samba) -1971 e no Teatro Brasileiro de Comédia com Plínio Marcos “Humor Grosso e Maldito nas Quebradas do Mundaréu” – 1972
Formou com Geraldo Filme e Tuniquinho do Cambuci o grupo “Os Batuqueiros” -1971
da Casa Verde, passando a integrar sua ala de compositores.
Ainda em 1971, estreou em disco como autor e cantor, gravando Quem canta samba, no LP Balbina de Iansã, que reunia músicas da peça do mesmo nome (de Plínio Marcos) e da qual participara como ator em 1970, no Teatro São Pedro. Também em 1971, integrando o grupo Os Batuqueiros, que era formado por Geraldo Filme e Toniquinho (do Império do Cambuci). Fez muitos shows em televisão.
Obras:
Brasil de paz e amor, samba-enredo, 1973; O Brasil recebe o mundo de braços abertos, samba-enredo, 1972; Cante e conte os quatro cantos do Brasil, samba-enredo, 1974; Maior amor do mundo, samba, 1974; Poeta de Miraí, samba-enredo, 1977; Redenção, samba-enredo, 1974; Rua Guilherme de Almeida, samba-enredo, 1975; Salamanca do Jaraú, samba-enredo, 1978; Sete cidades, samba-enredo, 1976; Venha comigo, samba, 1975.

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Osvaldinho da Cuíca (Osvaldo Barros) Nasceu no bairro do Bom Retiro em 1940 e aos 15 anos freqüentava os blocos e cordões carnavalescos da Zona Norte paulista.É um cantor, compositor, sambista, ritmista e passista brasileiro.
Conviveu com mestres como Solano Trindade e Luís Carlos Barbosa.
Foi fundador da Ala dos Compositores da Escola de Samba Vai-Vai, de São Paulo.
No ano 2000 fundou o Cordão Carnavalesco do Ziriguidum, com repertório de tradicionais marchinhas de carnaval.Em 1967, foi convidado a participar com o conjunto Demônios da Garoa no “III Festival da Record”, no qual tocou a música “Mulher, Patrão e Cachaça”, que reproduzia um diálogo entre instrumentos musicais. Participou em shows e gravações com Martinho da Vila, Beth Carvalho, Adoniran Barbosa, Elizeth Cardoso, Cartola, Vinicius de Moraes, Gal Costa, entre outros.
Formou o Trio Canela, com Osmar do Cavaco e Jair do Cavaquinho, ambos da Velha-Guarda da Portela. Integrou também o grupo Velhos Amigos.
Em 1999 gravou o disco “História do samba paulista”, pelo selo CPC-UMES, lançado na Choperia do Sesc Pompéia, em São Paulo. Neste disco, contou com a participação de Thobias da Vai Vai, Germano Mathias e Aldo Bueno.
Compôs várias músicas entre elas: “Enquanto a Vida Me Sorrir”, “Minha Vizinha”, “Tamborim Mensageiro” “Esquentando a Frigideira”, “Pirapora”, “Tiririca”, “Barra Funda”, “Luz do Teu Olhar”, “Monólogo de Um Sambista”, entre outras..
É um dos maiores nomes da história do samba paulista, já tendo tocado com Adoniran Barbosa, e sido intérprete de samba-enredo da Gaviões da Fiel, quando esta era ainda um bloco.
Em 2007, foi comentarista do desfile as campeãs do Carnaval de São Paulo, na TV Bandeirantes.
Em 24 de outubro de 2007 recebeu a Medalha de Anchieta e Diploma de Gratidão da Câmara Municipal de São Paulo.

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Tuniquinho Batuqueiro – Nascido em 1929 na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo, o sambista Toniquinho Batuqueiro traz em seu primeiro CD solo o samba rural e memórias de sua vivência nas ruas e nas escolas de samba de São Paulo ao lado de seus antigos companheiros de samba – Geraldo Filme, Zeca da Casa Verde, Pato N’Água e, até mesmo, Plínio Marcos, que acompanhou em uma série de espetáculos.

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Germano Mathias, “O CATEDRÁTICO DO SAMBA”- Nasceu em São Paulo, 2 de junho de 1934 no bairro do Pari e é um cantor brasileiro, representante do samba paulistano.
Seu grande sucesso foi “Minha nega na janela”, também seu samba de estreia. Chamou a atenção por causa do jeito peculiar de interpretar os sambas, sempre de forma sincopada, e acompanhá-los tocando com uma tampa de uma lata de graxa, herança dos engraxates da Praça da Sé, com quem conviveu no início da década de 1950. Germano também é conhecido por interpretar vários sambas de Zé Ketti. Fã de Germano, Gilberto Gil gravou em 1978 o álbum “Antologia do Samba-Choro”, que traz também algumas gravações originais do sambista nascido na Rua Santa Rita, no bairro paulistano do Pari.
A maioria de seus discos saíram nas décadas de 1950 e 1960. Depois disso seus lançamentos foram cada vez mais esporádicos.
Participou dos filmes “O Preço de Vitória” e “Quem roubou meu samba”. Foi convidado para atuar na novela Brasileiras e Brasileiros, exibida pelo SBT em 1990. Em 20011 completou 56 anos de carreira e continua fazendo shows. Em 2004 lançou “Tributo a Caco Velho”, em homenagem ao compositor gaúcho que tanto o influenciou, morto em 1971. Antes, em 2003, havia lançado “Talento de Bamba”. Em CD, pode-se encontrar: “Ginga no Asfalto”, de 1962; “20 preferidas. Germano Mathias” (Som Livre).

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Pato N’água – Um dos fundadores da escola de samba Vai-Vai, o Pato N´Agua, apitador de samba (mestre de bateria) foi homenageado por Geraldo Filme, na música “Silêncio No Bixiga” de 1969.
“O cara era mesmo uma fera. Bom de dar pernada na tiririca, Pato era um malandro completo. Um negrão alto, forte e valente. E como bom bamba que era, Geraldo Filme conta que Pato era cheio de “comadrinhas” por aí. E foi num dia que o homem foi visitar suas moçoilas que o bicho pegou. Pato alugou um táxi e começou a rodar a cidade. Visitou uma aqui, tomou um café acolá, bateu um papo noutra esquina. Enfim, ficou o dia todo com o mesmo motorista que acabou desconfiando e avisando a polícia. Como já naquela época o pessoal atira primeiro pra depois perguntar, Pato acabou dançando. Em uma manhã de 1969 foi encontrado morto em uma lagoa de Suzano.
“O laudo dava infarte. Mas de susto não morreu porque era bravo. Afogado também não porque era Pato N´Àgua porque nadava bem demais”, lembra Geraldo Filme, “Aí o motorista do carro funerário disse pra mim, o Carlão do Peruche: ‘Dá uma olhada na japona dele que ela tá com uns furos meio estranhos’ Aí quando o Carlão pegou a japona, o dedo dele já entrou no buraco. Aí fomos tirar a roupa dele pra ver, mas não tinha marca de furo. Aí explicaram pra gente que se foi baioneta ou punhal, na água fecha”.
Pra contar o final da história, Plínio Marcos, em um texto que saiu no dia 13 de fevereiro de 1977 na Folha de S. Paulo: “O que se sabe é que a notícia chegou no Bexiga à tardinha, na hora da Ave-Maria, e logo correu pelos estreitos, escamosos e esquisitos caminhos do roçado do bom Deus. E por todas as quebradas do mundaréu, desde onde o vento encosta o lixo e as pragas botam os ovos, o povão chorou a morte do sambista Pato Nágua. E o Geraldão da Barra Funda, legítimo poeta do povo, chorou por todos num bonito samba chamado Silêncio no Bexiga”.

Postado por:
Tiano Araujo
http://facebook.com/tianoaraujo

Textos e imagens extraídas de:
Batucada Paulista
https://www.facebook.com/profile.php?id=100002661846794&sk=info

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comentários
  1. Nunca tinha visto uma foto do lendário Pato N’água… me arrepiei todo !!!

    Lindas histórias

    Salve o Samba da Vila !

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