Quer saber qual foi a primeira escola de Samba do mundo ???

Publicado: 10 de janeiro de 2012 em Uncategorized

Paulo da Portela,Heitor dos Prazeres,Gilberto Alves,Bide e Marçal.

Muitas idéias podem surgir numa roda de amigos na mesa de um bar. E foi numa roda dessas, no Botequim do Compadre, que o sapateiro Alcebíades “Bide” Barcelos e seus amigos do Estácio de Sá, um bairro do Rio, criaram a primeira escola de samba do mundo, a Deixa Falar. Isto foi em 12 de agosto de 1928.

Pouco tempo depois ele aprontava mais uma, desta vez sozinho. Resolveu acrescentar o surdo, instrumento de orquestra, na bateria da escola. Nascia o samba carnavalesco.

“Naquela época não tinha surdo em escola de samba. Era só pandeiro e tamborim. Precisava do surdo para chamar atenção do coro que ia na frente e manter o ritmo. Por isso fiz quatro surdos de latas grandes e redondas de manteiga. No carnaval seguinte, todo mundo veio do mesmo jeito”, costumava contar o compositor, que morreu em 1975.

Bide nasceu no dia 25 de julho de 1902. Com certeza muita gente nunca ouviu nada a seu respeito, mas já cantou muitas de suas composições sem saber, como por exemplo: ‘Quem canta seus males espanta’, ‘O palhaço o que é?’ e ‘Agora é cinza’, entre centenas de outras. Ele nasceu na Rua da Consolação, em Niterói, e foi morar no Estácio, aos 8 anos.

Sorte – “A malandragem/ eu vou deixar/ não quero saber da orgia/ mulher do meu bem querer/ esta vida não tem mais valia”.

Como sapateiro, Bide era um ótimo compositor, e por causa desta sua primeira composição, Malandragem, caiu nas graças do público e de Francisco Alves. “O Chico ouviu esta música e foi me procurar. Naquela época ele não tinha nem carro”, revelou Bide a Juarez Barroso, do Jornal do Brasil, em 1966.

Francisco Alves gravou Malandragem, chamou Bide para tocar piano na faixa e “deu uma de malandro” – assinou como sua a canção do jovem sapateiro. A música estourou no carnaval de 1928 na voz de Francisco, que com ela conheceu o sucesso.

Suas composições também foram gravadas por Carmen Miranda, Carlos Galhardo, Ataulfo Alves e Orlando Silva, entre vários outros cantores. Além disso, Bide foi o ritmista da “Rádio Nacional” por quase 30 anos. Apesar de tanto sucesso, ele morreu discretamente, quase cego, paralítico e pobre. Ele dizia que na sua época, música não dava dinheiro _”a gente fazia sucesso, mas vendia pouco, a gente nunca teve sorte mesmo”.

“Surdo” foi inventado no Senegal

Por causa da “criação” dos surdos para o desfile de carnaval da Deixa Falar (primeira Escola de Samba do País), alguns historiadores atribuem a Bide a invenção deste instrumento de percussão. “Na verdade, ninguém sabe ao certo quem inventou o surdo e muitos outros tambores, é como a história de quem inventou a roda. O que sabemos é que no século 18 o surdo já era tocados nas orquestras”, frisa Flávio Pimenta, regente da banda de percussão e presidente dos Meninos do Morumbi (SP).

Na Enciclopédia da Música Brasileira (Art Editora/Itaú Cultura) consta no verbete “Bide”, que além de criar a Deixa Falar, “foi o primeiro a introduzir no samba o surdo, instrumento de percussão que improvisou com uma lata de manteiga, tendo sido também o pioneiro na adoção do tamborim na escola de samba.”

Segundo a Enciclopédia da Percussão (Encyclopedia of Percussion), organizada pelo departamento de Ciência da Computação e Engenharia (CSE) da OGI School of Science & Engineering, “o surdo é um dos instrumento de percussão da tabala – um set de três a cinco tambores de madeira de vários tamanhos -, que teria sido criado no Senegal, no século 18. O maior dos tambores da tabala é o surdo, que teria sido criado antes, no século 12, inspirado nos tambores árabes de guerra. A música tocada pela tabala é conhecida por Wolof”.

Os arqueólogos afirmam que os tambores são bem mais antigos, começaram a aparecer nas escavações arqueológicas do período Neolítico. Na Morávia (atual República Checa e Eslovênia), foi encontrado um tambor em uma escavação de 6.000 aC. Também encontraram tambores na antiga Suméria (Ásia), com a idade de aproximadamente 3.000 aC; e entre artefatos Egípcios, de 4.000 aC.

Créditos para:
Sílvia Herrera (Agência Estado)

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