Arquivo de janeiro, 2012

Mussum, o rei do reco-requis

Publicado: 26 de janeiro de 2012 em Uncategorized

 

Seleções musicais e histórias

 

Os Originais do Samba, com Mussum ao centro esmirilhando o reco-reco em 1972. Com o grupo, participou da gravação de 12 LPs e ganhou três discos de ouro. Armando Borges / CEDOC FPA
 

Mussum, o rei do reco-requis

ALCEU MAYNARD | 07.08.2011

Sentado no bar, Mussum cantarola trecho de “Lá no morro”, de Almir Baixinho, Dona Fia e Marujo, gravada pelo grupo Fundo de Quintal. Mal termina, dirige-se ao garçom e tenta convencê-lo armar uma “pindureta” (vender a fiado) para a mesa, já repleta de “ampolas diuréticas” (garrafas de cerveja). Sem sucesso, Mussum e seu colega são arrastados do bar por um policial. A cena se passa no humorístico Os Trapalhões em pleno horário nobre dominical do maior canal de TV do país, poucos anos após o fim da ditadura militar.

Assistido predominantemente por crianças, o quadro hoje soa politicamente incorreto. Mas sem entrar nesta discussão, a verdade é que Mussum é o carismático personagem do músico, cantor e compositor Antônio Carlos Bernardes Gomes. O apelido do atrapalhado boêmio dos morros cariocas que não perde uma oportunidade de demonstrar sua habilidade no batuque de mesa e não recusa um gole de mé (cachaça) é dado por Grande Otelo, em referência a um peixe sem escamas, liso e ligeiro como as “sacadas” do ator.

Na juventude, Antônio Carlos estreita sua relação com o samba por meio de sua escola de samba do coração, a Estação Primeira de Mangueira. Observador, pesquisa o jeito malandro e gozador dos colegas. Muito estimado pela comunidade, passou de “Carlinhos da São Francisco” para o “Mumu da Mangueira”. Em depoimento ao documentário “Retratos brasileiros” (1998), do Canal Brasil, dirigido por Sérgio Rossini, Dedé, um dos colegas Trapalhão afirma: “Ele fazia muitas coisas pela Mangueira. Chegou trocar o cachê porque eles precisavam de um consultório de dentista”.

Disciplinado, herança dos oito anos em que serve a Força Aérea Brasileira, Antônio Carlos dedica-se ao reco-reco, enquanto participa da Caravana Cultural de Música Brasileira, de Carlos Machado: “Nunca vi ninguém tocar reco-reco como o Mussum! Ninguém tinha aquele suingue, só ele”, conta a cantora Alcione para o mesmo documentário.

Na década de 1960, Antônio Carlos junta-se a outros músicos amigos, a maioria ritmistas, e forma o grupo Os Sete Modernos, posteriormente chamado Os Originais do Samba. Em 1962, fazem sua primeira excursão ao exterior: passam sete meses no México como Los Siete Diablos de la Batucada: “Passamos é fueme mesmo! A gente falava é cueca-cuela, ensaladis”, relembra Antônio Carlos ao lado dos companheiros Bidi, Chiquinho, Bigode, Rubão e Lelei em entrevista ao programa MPB Especial, da TV Cultura, em 1972.

Logo a sorte do grupo muda. Em 1968, o produtor Solano Ribeiro sugere o grupo para se apresentar ao lado de Elis Regina na “I Bienal do Samba”, interpretando “Lapinha”, de Baden Powell e Paulo Cesar Pinheiro. A música vence o festival e Os Originais são contratados pela gravadora RCA Victor. Do primeiro, homônimo, desponta o sucesso “Cadê Teresa”, de Jorge Ben.

  • Cadê Tereza – Os Originais do Samba

Tentando fixar o grupo em São Paulo, Antônio Carlos pede ajuda a Jair Rodrigues. O cantor apresenta os sambistas para seus empresários, a dupla Venâncio e Corumba, que os colocam em seu casting. Logo, Jair inicia uma série de shows ao lado d’Os Originais do Samba: “Nos tornamos grandes amigos. Eu estava sempre na casa deles, e eles na minha. Inclusive, ele (Mussum) botou até um apelido em mim, que era “Zé da Zona”, porque a gente ia para as cidades fazer show e, depois para a noitada. Ele me chamava de Zé. Daí ficou ‘Zé da Zona’, diverte-se Cachorrão.

“O prazer dele era dar um porre no cara, vê-lo sair de quatro da casa dele, ver o cara ficar doidão”, afirma outro companheiro musical e de noitadas, Jorge Aragão, ao documentário “Retratos brasileiros”. Com Os Originais, Mussum grava o Aragão em 1977 e, posteriormente, três vezes em carreira-solo, dividindo a autoria em duas: “Paz e humor” e “Madureira Vaz Lobo e Irajá”, em ambas também com Neoci.

Carismático e bem-humorado nos palcos e nos bastidores, Mussum chama atenção dos comediantes profissionais. Em 1969, participa do programa de Chico Anysio. É o veterano colega que sugere a Mussum acrescentar as terminações “is” ou “évis” na palavras, que se torna sua marca registrada. Ao assistir ao programa, outro humorista, Renato Aragão, enxerga em Mussum o tipo ideal para integrar um novo projeto que elabora para a TV Excelsior: “Eu queria gente que nunca tivesse feito televisão, mas que tivesse experiência. Era difícil isso!” comentou o criador de Didi Mocó. Convencido pelo comediante Dedé Santana, o sambista concorda em participar do trio que logo migra para a TV Record e ganha o quarto integrante, Zacarias.

Mas a música é prioridade de Mussum, que se sente muito mais um “tocador de reco-reco” que humorista, mesmo considerado por muitos como o mais engraçado do grupo trapalhão. Sendo assim, os anos de 1970 são produtivos para Os Originais do Samba, que lançam mais de dez álbuns e uma coletânea. Com repertório variado, em Samba é de lei (1970) gravam Jorge Ben, Silvio César, Roberto e Erasmo Carlos, e Nelson Cavaquinho.

  • O bem e o mal – Os Originais do Samba

Dois anos depois, lançam O samba é a corda, os Originais a caçamba, álbum que engata o maior sucesso do conjunto, “O lado direito da rua direita”, de Luis Carlos e Chiquinho. Acompanham artistas consagrados como Chico Buarque, Toquinho e Vinicius, Paulinho da Viola, Elza Soares, Elis Regina, Jorge Ben, Martinho da Vila, e o amigo Jair Rodrigues, e se tornam o primeiro conjunto de samba a se apresentar no Teatro Olympia, em Paris.

  • Do lado direito da rua Direita – Os Originais do Samba

Mesmo com a popularidade nas alturas, Mussum não perde a humildade e simplicidade de Antônio Carlos, e continua sendo “mais um” dos seis integrantes d’Os Originas do Samba, cantando com vocais em uníssono. “Ele era uma figura muito dada, simples, tratava bem todo mundo que chegava nele… Ali, nos Originais, não tinha um só que mandava; todos os componentes eram os líderes”, disse Jair Rodrigues.

Em 1974, sempre com a eclética receita de bom humor nas letras e arranjos que passeiam entre algumas vertentes do samba, gravam o álbum Pra que tristeza, que apresenta “Tragedia no fundo do mar (Assassinaram o camarão)” e “Complicação”, composição de Mussum, Bidi e Luis Carlos. Depois do sucesso da maliciosa “A dona do primeiro andar”, parecem aderir ao universo do colega trapalhão e gravam O aniversário do Tarzan, LP em que a capa traz os integrantes fantasiados de personagens de histórias em quadrinhos.

O sucesso de Mussum nos Trapalhões começa atrapalhar a trajetória de Antônio Carlos no grupo que ajudou a formar. Em 1979, após o lançamento do álbum Clima total, o cantor e ritmista abandona o conjunto com quem gravou 12 LPs e ganhou três discos de ouro.

  • A vizinha (Pega ela, peru) – Mussum

Começa a etapa individual na carreira musical de Mussum. Acompanhado por Almir Guineto (cavaco e banjo), Wilson das Neves (bateria), José Briamonte (piano), e outros músicos consagrados, lança em 1980 seu primeiro LP, homônimo. “A vizinha”, mais conhecida pelo refrão “Pega ela, Peru!”, é o primeiro sucesso de Mussum longe de sua antiga trupe. O álbum tem participações de Márcia, Martinho da Vila e Jorge Aragão. Destaque para “Nega besta”, de Arnaud Rodrigues, na qual canta com o linguajar do personagem que fez história.

Em “Um amor em cada coração”, uma composição de Vinicius de Moraes e Baden Powell, canta suave ao lado de Márcia. A faixa escolhida relembra o ano de 1968 quando Márcia e Os Originais do Samba acompanham o menestrel do violão, Baden, em álbum ao vivo, gravado no Teatro Bela Vista, em São Paulo.

Elegantemente vestido com terno branco e gravata verde e rosa, homenagem à escola de samba Mangueira, Antônio Carlos cumprimenta seu alter ego, Mussum, na capa do segundo álbum-solo,Água benta. Lançado em 1983, conta com músicos-regentes como Rildo Hora, José Briamonte, Wilson das Neves e Léo Gandelman. Na faixa título do disco, Mussum divide o partido-alto com Alcione, e em “Rio antigo” mostra sua versatilidade em uma bossa nova assinada com Chico Anysio. Ainda neste ano, grava a trilha sonora de O cangaceiro trapalhão, um dos 27 filmes do quarteto.

  • Água benta – Mussum (part. Alcione)

Três anos depois, Mussum registra seu último álbum individual. Com grande parte dos músicos do álbum anterior e mais a participação de Alceu Maia, Raphael Rabello e Arlindo Cruz, o LP traz duas composições autorais, incluindo a faixa de abertura, “Because forever” , parceria com João Nogueira. Ainda em 1986, grava “Paz e humor” para a trilha sonora do filme Os Trapalhões no rabo do cometa, que ainda conta com Premeditando Breque, Grupo Rumo, Ira!, e Ultraje a Rigor.

  • Because forever – Mussum

Os próximos álbuns dos comediantes são Os Trapalhões (1987) e Amigos do peito (1991). Sabendo das dificuldades de manter a carreira-solo, Mussum propõe a Jorge Aragão formar um conjunto para tocar sem compromisso, apenas entre amigos. Seu parceiro aceita o convite, porém a ideia nunca se concretiza. Pouco depois, Mussum começa a apresentar problemas de saúde e, em 29 de julho de 1994, aos 53 anos de idade, morre em virtude de complicações após um transplante de coração.

Abaixo, trechos do programa MPB Especial com Originais do Samba na TV Cultura em 1972.

REPERTÓRIO

01. Cadê Tereza (Jorge Ben), por Os Originais do Samba e Jorge Ben (1969)
02. Vou me pirulitar (Jorge Ben), por Os Originais do Samba e Jorge Ben (1969)
03. E lá se vão os anéis (Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro), por Os Originais do Samba (1971)
04. Do lado direito da rua Direita (Luis Carlos e Chiquinho), por Os Originais do Samba (1972)
05. O bem e o mal (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), por Os Originais do Samba (1970)
06. Saudosa maloca (Adoniran Barbosa), por Os Originais do Samba (1974)
07. Tragedia no fundo do mar (Assassinaram o camarão) (Zere e Ibrain), por Os Originais do Samba (1974)
08. A dona do primeiro andar (Luis Carlos e Lucar), por Os Originais do Samba (1975)
09. Maria, vai ver quem é (Monarco, Sarabanda e Cafuné), por Os Originais do Samba e Clementina de Jesus (1978)
10. Água benta (Sombrinha e Ratinho), por Mussum (participação de Alcione) (1983)
11. A vizinha (Pega ela, peru) (Paulinho Durena e Walter Moreira), por Mussum (1980)
12. Crioulo fumê (Mussum), por Mussum (1983)
13. Paz e humor (Mussum, Jorge Aragão e Nelci), por Mussum (1986)
14. Because forever (Mussum e João Nogueira), por Mussum (1986)
15. Um amor em cada coração (Baden Powell e Vinicius de Moraes), por Mussum e Márcia (1980)
16. Nega besta (Arnaud Rodrigues), por Mussum (1980) (Mús. incidental: The old fashioned way, de Aznavour e Garvarentz)
17. Rio antigo (Nonato Buzar e Chico Anísio), por Mussum e Chico Anísio (1983)
18. Filosofia de quintal (João do Cavaco e Zé Maurício), por Mussum (1986)
19. Piruetas (Enriquez, Bardotti e Chico Buarque), por Chico Buarque e Os Trapalhões (1981)
20. Lapinha (Baden Powell e Paulo Cesar Pinheiro), por Elis Regina e Os Originais do Samba (1968)

 

Show/lançamento: DVD Eduardo Gudin & Notícias Dum Brasil

Por Jose Antonio Valois (Samba & Choro)

O show Eduardo Gudin & Notícias Dum Brasil – 3 Tempos marca o lançamento do primeiro DVD do compositor Eduardo Gudin, reunindo em um mesmo palco as três formações musicais do grupo Notícias Dum Brasil, que acompanha Gudin há mais de 15 anos.
No espetáculo, Eduardo Gudin, ao violão e voz, será acompanhado pela terceira e atual formação de seu grupo, integrado por Ilana Volcov, Karina Ninni e Maurício Sant’Anna nos vocais e pelos percussionistas Osvaldo Reis, Raphael Moreira, Ewerton Almeida e Jorginho Cebion.
O show contará também com a presença de Renato Braz, Márcia Lopes, Luís Bastos, Fabiana Cozza, Maria Martha, Luciana Alves, Edson Montenegro, Marilise Rossato, intérpretes integrantes das formações anteriores, e do cantor Zé Renato como convidado especial.
Com: Adriano de Andrade (cavaco/ bandolim) e João Poleto (sopros).

Show/lançamento: DVD Eduardo Gudin & Notícias Dum Brasil
Dias 25 e 26 de janeiro – quarta, às 19h e quinta, às 21h.
Teatro do SESC Pompeia.
Rua Clélia, 93. S.Paulo – SP.
Tel. 11.3871.7700
Ingressos: R$ 16

SAMBA DA VILA DIA 28/01/2012

Publicado: 23 de janeiro de 2012 em Uncategorized

Ooooo Samba, pede passagem (na Radio USP FM 93,7 São Paulo) diria Moisés da Rocha;

Alô Comunidade da Vila das Belezas e região, neste sábado tem mais SAMBA DA VILA pra vcs.

É só chegar a partir das 15:00hs, pra rever os amigos e se emocionar com lindas canções cantadas com o coração .

E muita, muita cerveja gelada !

 

Rua Rafael de Proença, 415 ( A 100 metros do Metros Vila das Belezas, altura do numero 500 da Estrada de Itapecerica)

Não tem como errar !

 

Espero vcs por lá !

Novo disco do Wilson Moreira

Publicado: 20 de janeiro de 2012 em Uncategorized

Novo disco do Wilson Moreira

Por: Bernardo Oliveira (DJ e Filósofo Carioca)
http://materialmaterial.blogspot.com

Este talvez seja o álbum mais injustiçado nas famigeradas listas de fim de ano. Trata-se do encontro entre Wilson Moreira e o grupo percussivo Baticun, formado por Beto Cazes, Carlos Negreiros, Jovi Joviniano e Marcos Suzano. Sem dúvida, um dos maiores compositores da segunda metade do século XX no Brasil, Wilson Moreira é autor de sucessos como “Goiabada Cascão”, “Gostoso Veneno”, “Senhora Liberdade”, “Judia de Mim” e “Quintal do Céu”, as últimas duas gravadas por Zeca Pagodinho. Acompanhado pelo Baticun, registrou, entre os anos de 1988 e 1991, vozes e bases com a intenção de pleitear o auxílio do produtor e fotógrafo japonês Katsunori Tanaka – que também produziu Nelson Sargento, Velha Guarda da Portela e o próprio Moreira. O projeto não foi adiante e só agora, vinte anos depois, foi editado pelo selo de Cazes, acrescido de violão, cavaquinho, sopros, percussões e coral.

O resultado? Bem, posso afirmar, de saída, que contrasta radicalmente com tudo o que se faz hoje em termos de samba no Brasil. Vale notar como é significativo o fato de que esse contraste seja derivado da personalidade de Wilson Moreira, 75 anos, grande compositor e “solucionador cultural” carioca, que ao lado de Nei Lopes, compôs uma das parcerias mais prolíficas de toda a história do samba carioca. Conservou, porém, sua independência estilística, destilada através de pérolas como Okolofé, Peso na Balança, Entidades, ou nas que participou com o Partido em 5, de Antônio Candeia. Tradição e ousadia sempre caracterizaram seu trabalho.

Que os grandes órgãos de imprensa insistam inexplicavelmente em não lhe prestar a devida atenção, e que ele nunca habite a lista dos “cem mais da música brasileira”, apenas comprova a profunda importância de sua obra. A seu lado, outros grandes compositores como Luiz Carlos da Vila e Beto Sem Braço permaneceram a meio palmo de uma divulgação justa, evidenciando que a questão não passava somente por critérios estéticos… E, no entanto, se tornou habitual considerar a música desses autores sob o guarda-chuva do “samba de raiz”, ou samba “tradicional”. Mas a julgar exclusivamente pela música que emana desta colaboração, nada leva a crer que se pretendam ligados a uma “tradição” pétrea, ou a uma identidade musical limitada a certos procedimentos, timbragens, tipos de composição etc.. Pelo contrário, Wilson Moreira + Baticun evidencia uma tensão constante entre o legado e o futuro, entre o que já é sabido e adquirido e aquilo que é fruto de inesperados lampejos criativos.

Assim, a faixa de abertura, “Abrindo os Trabalhos”, ouvimos um “aguerê” – ritmo de oxóssi, oriundo do candomblé – com percussões pesadas e um baixo grave que, num primeiro momento confundi com Massive Attack. À moda de um mestre de cerimônias, Moreira dá as boas-vindas ao ouvinte, e com seu sorriso característico, brinca com a própria ousadia: “hiiiii, agora tá gostando né? Pode sambar, pode sambar, isso…” Na sequência, “Questão de Identidade”, demonstra como um eventual alistamento ideológico não restringe a criatividade de seus agentes. Trata-se de um jongo de refrão em versos brancos (i. é, sem rimas), cuja instrumentação se constitui apenas por instrumentos de percussão: duas práticas incomuns no samba carioca.

“Só você não entendeu
A história está aí
Seu problema é pessoal
Que não assume onde nasceu”

É lícito considerar que tanto o significado do verso, como o título da canção, apontam para uma perspectiva abstrata acerca do conceito famigerado de “identidade nacional”. Porém, há uma farta literatura sobre o tema, e longas batalhas ideológicas ainda serão travadas a esse respeito – as inclinações didáticas do “cepecismo” não morreram, assim como o deslumbre diante da “diversidade”… Porém, considero uma hipótese discreta, mas válida: de que o mero soar da música incrível presente nesta colaboração possa trazer, com suas ondas invisíveis, mais do que questões, polêmicas e explicações sócio-científicas, mas uma resposta consistente e efetiva em forma de música. Música rica, jovial e festiva.

Um capítulo à parte são os arranjos e a instrumentação compostas pelo Baticun, que, primeiramente, foge à timbragem comuns às concepções padronizadas que marcaram o gênero nesses últimos vinte anos. Em comparação com este trabalho, o samba gravado hoje no Brasil abdicou da pesquisa de timbres. Reparem nas sonoridades pouco usuais em “No Talho da Madeira” ou no bravun “Negro Doce Amor”, atravessado por ataques de guizos e derbak. E mesmo em sambas como “Terreiro Grande”, percebe-se não só a inclusão de instrumentos pouco utilizados, como também empregados de modo atípico. Tal orientação transfigura o clima malemolente de algumas das canções de Moreira, conferindo-lhes um balanço forte e vibrante, reforçado pela jovialidade de sua voz, captada em um momento de grande vigor criativo. Um momento particularmente emocionante do disco é a entrada do deslumbrante naipe de sopros em “Ôloan”, arranjados por Henrique Cazes.

As letras de Moreira percorrem miríades urbanas, suburbanas e rurais, como na parceria com Nei Lopes, “Mulata do Balaio” ou no jongo/reggae “No Arrebol”; antigos hábitos e costumes, como na descrição extemporânea, quase poética, do trabalho madeireiro em “No Talho da Madeira”; a religiosidade afrobrasileira, em “Ôloan” e na corimba “Nanã”. Além de um domínio impressionante dos ritmos afrobrasileiros, que o permite explorar uma ampla variedade de inflexões poéticas e musicais, Moreira é artesão de canções, que sempre revela palavras e ritmos invulgares, para não dizer inusitados. A combinação deste talento com a ousadia dos arranjos do Baticun, portanto, é absolutamente bem-sucedida, uma surpresa em todos os sentidos. Que este projeto tenha ficado tanto tempo engavetado só confirma o que se suspeita desde a primeira audição: de que se trata de um trabalho adiante do seu tempo.

Poesia de Luiz Nenão para o Samba da Vila

Publicado: 19 de janeiro de 2012 em Uncategorized


Samba da Vila

Vila das Belezas

Samba de gente bamba

Gente que da vila é

Samba da Vila

A beleza é tua gente

É gente que canta e encanta

E que tem samba no pé

Samba da Vila

Do samba de rua

Quem te segura

É quem em ti bota fé

Samba da Vila

Da vila do samba

Tu és morada

Do samba que é samba

Mostra prá toda cidade

Tua gente de garra,

Mostra quem você é

MOSTRA QUE FAZ SAMBA DE VERDADE.

Samba da Vila vai decolar!

Publicado: 19 de janeiro de 2012 em Uncategorized

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Frequento e já frequentei vários projetos e/ou comunidades de samba aqui em São Paulo, cada projeto com sua particularidade, mas todos com o mesmo objetivo, cultuar e preservar o verdadeiro samba.

Nessas visitas, algumas vezes, tive a companhia do Alexandre Ciriaco, que sempre insistia para montarmos um projeto em nossa “quebrada”, que é carente desses projetos, exceto pelo Samba do Monte, mas pela dimensão da nossa  área é muito pouco, precisamos de mais, muito mais, mas isso é um outro assunto.

Sempre combinávamos para sentar e trocar umas ideias, mas como sempre, faltava o tempo, bastante precioso na correria do nosso dia-dia.

O tempo foi passando e o Alexandre com a mesma ideia na cabeça começou, “silenciosamente”,  arquitetar e a dar inicio a esse “sonho”, claro que com o apoio dos mestres e resistentes, Wilsinho, Neguinho e ao “presidente” Julimar.

Hoje o Samba da Vila, nome sugerido por Toninho Buldog e rapidamente acatado por todos, começa a tomar uma forma, uma dimensão, que pela vontade dessa rapaziada vai voar alto por nossa cidade e quem sabe por todos os cantos do Brasil!

Parabéns, Xandão (Alê Ciriaco), Wilsinho, Neguinho, Julimar, Gordo, Tadeu, Reginaldo, Toninho Buldog, Véio, Lucas, Milton, Ygor e a todos que de alguma forma contribuem para que esse projeto de certo!

Samba da Vila chegou forte no terreiro
Samba da Vila vai mostrar que é tradição
Exaltando nossos bambas de outrora
Porém aqui não vai haver discriminação
Samba da Vila raspa o fundo do baú
Samba da Vila representa a Zona Sul

Força, fé e sorte!

Tiano Araujo

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Paulo Vanzolini (Paulo Emílio Vanzolini) – Nasceu em São Paulo, 25 de abril de 1924, é um zoólogo e compositor brasileiro, autor de famosas canções como “Ronda”, “Volta por Cima” e “Na Boca da Noite”.
Paulo Emílio Vanzolini nasceu em São Paulo -SP -em 25 de Abril de 1924. Filho de um engenheiro, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro RJ, quando tinha quatro anos. De volta a São Paulo em 1930.. Quatro anos depois entrou para a Faculdade de Medicina, passando a freqüentar as rodas boêmias de estudantes e a compor seus primeiros sambas. Trabalhou na Rádio América e formou-se em medicina e Zoologia, da Universidade de São Paulo. Formou-se em 1947, casou no ano seguinte, e foi para os EUA, onde se doutorou em zoologia, na Universidade de Harvard.
Em novembro de 1967produziu um LP com músicas suas – 11 sambas e uma capoeira – interpretadas por vários cantores, entre os quais o Paraná (Capoeira do Arnaldo), Chico Buarque (Praça Clóvis e Samba erudito) e Cristina(Chorava no meio da rua). No ano seguinte, com Toquinho, seu único parceiro, inscreveu a música “Na Boca da Noite” no II FIC, da TV Globo, vencendo a parte paulista do concurso. Com Toquinho compôs, ainda, “Boba” e “Noite Longa”, ambas em 1969. Só teve, porém, novas músicas gravadas em 1974, “A música”– com músicas interpretadas por Carmen Costa e Paulo Marques, entre elas “Mulher Que Não Da Samba”, “Falta De Mim”, “Teima Quem Quer”. Em 1997 foi homenageado, na USP, com show em que foi apresentada uma nova música sua, “Quando eu for, eu vou sem pena”.É um dos idealizadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e ativo colaborador do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, que com seu trabalho aumentou a coleção de répteis de cerca de 1,2 mil para 230 mil exemplares.
Paulo Vanzolini foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.Em agosto de 2008, o cientista e compositor foi também premiado pela Fundação Guggenheim, em Nova Iorque, em virtude de suas contribuições para o progresso da ciência. O mesmo prêmio foi dado a três outros cientistas brasileiros, em outras áreas além da biologia.

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Os Demônios da Garôa – É um grupo musical brasileiro, grande intérprete de Adoniran Barbosa, com mais de 60 anos de existência.

Surgiu na década de 1940 com o nome de “Grupo do Luar”. Em 1943, cantando pela primeira vez no rádio, venceu um concurso de calouros.

Seu bom humor tornou-se a marca registrada do grupo. Em 1965, com mudanças na formação original, gravou Trem das Onze, a marca registrada do grupo, conjuntamente com “Iracema”, “Saudosa Maloca”, “O Samba do Arnesto”, “As Mariposa”, “Tiro ao Álvaro”, “Ói Nóis Aqui Trá Veiz”, “Vila Esperança” e “Vai no Bexiga pra Ver”.

O grupo vendeu mais de dez milhões de cópias distribuídos em 69 compactos simples, 6 compactos duplos, 34 LPs e 13 CDs ao longo de sua carreira. A atual formação compõe-se de Roberto Barbosa (conhecido pelo codenome de Canhotinho (Músico)) Serginho Rosa, Sydnei, Izael e Ricardinho (neto do fundador do grupo, Arnaldo Rosa). Noutros tempos, o grupo já contou com a participação de Ventura Ramirez, o considerado o melhor violão de 7 cordas do Brasil, com uma técnica peculiar que marcou a história e os arranjos dos Demônios da Garoa por cerca de 30 anos.

Os dois últimos fundadores do conjunto, Arnaldo Rosa e Toninho Gomes, faleceram respectivamente em 2000, vítima de cirrose hepática oriunda de um tratamento na coluna, e em 2005, vítima de complicações do diabetes e do mal de Alzheimer.

Em 1994, os Demônios da Garoa entraram para o Guinness Book – Livro dos Recordes Brasileiro, de onde não mais saíram, como o “Conjunto Vocal Mais Antigo do Brasil em Atividade”, além de receberem o disco de ouro pelo álbum 50 Anos.

A banda, que sempre se apresentou somente com os seus integrantes, a partir da gravação de seu primeiro DVD intitulado Demônios da Garoa Ao Vivo, lançado pela BAND Music, agora conta também com uma banda de apoio, formada por bateria, violão de 7 cordas e contrabaixo.

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Adoniran Barbosa (João Rubinato), sétimo filho de um casal de imigrantes de Treviso, Itália,foi entregador de marmita, trabalhou como varredor em uma fábrica de tecidos, no carregamento de vagões de trens suburbanos, como tecelão, encanador, pintor, garçom, metalúrgico e vendedor de meias para depois adentrar o mundo humorístico do rádio e tornar-se um dos maiores sambistas do país. Criador de um samba tipicamente paulistano, Adoniran Barbosa, como ficou conhecido, elaborava suas letras a partir das trágicas cenas de vida e da linguagem cheia de sotaques, gírias, inflexões e erros de habitantes de cortiços, malocas e bairros característicos da cidade, como Bexiga e Brás. “Pra escrevê uma boa letra de samba a gente tem que sê em primeiro lugá anarfabeto”, dizia. Compôs seus primeiros sambas, “Minha Vida se Consome”, em parceria com Pedrinho Romano, e “Teu Orgulho Acabou”, com Viriato dos Santos, em 1933. Dois anos depois, ganhou o primeiro lugar em concurso carnavalesco organizado pela Prefeitura de São Paulo, com “Dona Boa”. Após passar por emissoras como São Paulo, Difusora, Cosmos e Cruzeiro do Sul, recebendo pequenos cachês, notabilizou-se na década de 1940 como radialista cômico, interpretando uma série de personagens, baseados no linguajar coloquial, como o terrível e sábio aluno Barbosinha Mal-Educado da Silva, o negro Zé Cunversa, o motorista de táxi do Largo do Paissandu, Giuseppe Pernafina, o gostosão da Vila Matilde, Dr. Sinésio Trombone, o autor de cinema francês, Jean Rubinet, e o malandro malsucedido Charutinho. Com este último, um dos personagens do programa Histórias das Malocas, escrito por Oswaldo Moles, atingiu o clímax do humor e alcançou popularidade. “Trabaio é boca? Trabaio num é boca. É supurtura, é tumo”, falava Charutinho. A união entre o humorista e o músico, nos anos de 1950, representou seus maiores sucessos musicais: “Saudosa Maloca” (1951), “Malvina” (1951), “Joga a Chave” (1953), “Samba do Arnesto” (1955), “As Mariposas” (1955), “Iracema” (1956) e “Trem das Onze” (1965).

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Armando da Mangueira – Um dos maiores intérpretes dos sambas-enredo de São Paulo com a Nenê de Vila Matilde.Quem o conheceu se impressionava pelo seu carisma, criatividade nas composições e sua generosidade com os amigos. Carioca que a cidade de São Paulo adotou, Armando da Mangueira levava o público ao delírio quando soltava sua voz grave e forte na avenida: “Para sempre irei te amar. Tirando em primeiro, em segundo ou em qualquer lugar. Estou falando é de você, minha querida Nenê…”.
Compôs muitas músicas lindas, entre elas, algumas do seu disco “Tonelada de Samba”:“ Hei de Ver”, “ Vou Embora”, “ Eu Bebo”, “Minha Viola”,“ Eu Já Fui Tão Feliz”,“ Foi Uma Mulher”, “Dez Mandamentos”, “Nenê e Mangueira”.

 

Postado por:
Tiano Araujo
http://facebook.com/tianoaraujo

Textos e imagens extraídas de:
Batucada Paulista
https://www.facebook.com/profile.php?id=100002661846794&sk=info