Sempre a saudade

Publicado: 16 de agosto de 2014 em Uncategorized

Ontem ao entardecer fui surpreendido com uma noticia muito triste, um grande mestre do Bexiga atendeu ao chamado de cristo e deixou esse mundo.

Impressionante como essa noticia mexe com a gente, veio em minha mente a ultima vez que o recebemos no Samba Da Vila. Sua alegria por estar ali e fazendo o que ele gostava – afinal foi uma vida dedicada ao samba.

Aquele sorriso ao ser apresentando no tamborim e aquela promessa de que voltaria mais vezes ficou para outro plano.

Vá em paz e com a dignidade dos grandes baluartes. Só nos resta lamentar, só nos resta à saudade… Sempre a saudade.

 

Demam descanse em paz!
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JAIR DE TODOS OS SAMBAS

Publicado: 9 de maio de 2014 em Uncategorized

Por Fernando Szegeri

Partiu ontem para a morada dos Ancestrais uma das minhas mais marcantes referências na arte de cantar: Jair Rodrigues. Mas apesar de um excepcional intérprete do samba, com grande domínio de ritmo, cadência e divisão, sem falar em sua extraordinária voz; apesar de ter consolidado sua imagem artística como “sambista” nas duas primeiras décadas de sua carreira; apesar de ter consagrado composições de importantíssimos e incontestáveis sambistas de estirpe como Dedé da Portela, Dida, Gracia do Salgueiro, Wilson Moreira, Nei Lopes, Niltinho Tristeza, Jorge Costa, Ary do Cavaco, Otacílio da Mangueira, Martinho da Vila, Zuzuca, os baianos Edil Pacheco, Tião Motorista e Ederaldo Gentil, Velha da Portela, Venâncio, Bala entre tantos e tantos outros; apesar de figura decisiva no meio musical nos anos 70, sobretudo, a influenciar a carreira de importantes nomes ligados umbilicalmente ao samba como Clara Nunes e Os Originais do Samba, só pra ficar nos mais evidentes; apesar de ter gravado diversos discos dedicados somente ao samba, alguns de grande qualidade, tanto no que respeita a repertório e autores, como no que tange a interpretações, arranjos, instrumentação e produto sonoro final; apesar de pessoalmente ser uma figura querida e respeitada quase unanimemente no meio musical… Apesar de todos esses e outros pesares, Jair há muito é tratado com monumental indiferença no nosso querido e muitas vezes estranho mundinho do samba “stricto sensu”. E com isso não me refiro aos coiós de mola que vivem por aí elaborando seus “index” pra cá, sapecando os seus “nihil obstat” pra lá, à guisa de Santo Ofício. Falo da ausência quase absoluta do repertório do paulista, tirando um ou outro clássico, em praticamente todas as rodas de samba pelas quais tenho passado nesses quase trinta anos.
Sempre me perguntei pelos porquês. As hipóteses a se levantar são muitas, evidentemente, e talvez nenhuma esgote a questão. A mais simplória diria que Jair não fazia questão de se apresentar (socialmente, simbolicamente, visualmente etc.) como um sambista, nem fazia questão de cumprir os salamaleques, beija-mãos e bate-cabeças comuns no metiê que tão bem conhecemos. Outra poderia se reportar ao fato de que seu repertório desde sempre tenha transitado por uma gama mais vasta de gêneros, com o agravante de que o samba tenha perdido ao longo do tempo até mesmo a preponderância da primeira hora – e a derivada agravante: que isso se tenha dado mais por tendências gerais do mercado do que por uma opção essencialmente artística. Se fôssemos dar asas à síndrome de Ubaldo, poderíamos pensar que Jair nasceu paulista e assim se manteve, não tendo se “acariocado” como, gaúchos, mineiros, maranhenses e baianos ilustres, seus colegas e contemporâneos. Talvez um pouco de cada coisa, somado ao fato evidente de que as fronteiras culturais que muitas vezes impomos na busca fundamental da preservação de identidades e modos de vida, muitas vezes deixem exilados alguns concidadãos que nos teriam muito mais a dar e ensinar do que os que vivem-nos distribuindo abraços e continências.
Afortunamente, a roda dos Inimigos do Batente também nisso se constituiu como exceção. Sempre cantamos um sem números de sambas “criados”, como se dizia antigamente, pelo grande Jair, desde os que se transformaram em clássicos absolutos como “Gotas de Veneno” (Wilson Moreira e Nei Lopes), ou “O ouro e a madeira” (Ederaldo Gentil) até pérolas quase desconhecidas como “As lavadeiras da favela” (Paulo Sette), passando por saborosos partidos como “Quero meu boi” (Gracia a Pedrinho do Borel) e “Viva a mulher da gente” (Umberto Silva e Curumba) – aliás, era um grande intérprete do partido alto. Por essa admiração, por essa referência, por essa presença constante na minha formação musical e na formação do repertório – e mais do que isso: na proposta de repertório! – dos Inimigos, sonhamos em tê-lo como um dos homenageados da série “O Samba na Roda: em Prosa & Verso”, que os Inimigos realizaram no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo em 2013, comemorativa dos dez anos do grupo. Infelizmente, por uma série de razões que não cabem aqui, não conseguimos tirar o sonho do travesseiro.
A homenagem virá, por certo, neste sábado, no Ó do Borogodó. Póstuma, muito infelizmente. Mas que perdurará enquanto nosso samba soar pelos caminhos todos de Ilu Ayê. Axé!

Fernando Szegeri é advogado, escritor e integrante do conjunto Inimigos do Batente.szegeriestilizadozu2

SAMBA DA VILA NA ADEGA

Publicado: 4 de maio de 2014 em Uncategorized

Gente,

Gostaríamos de agradecer cada um de vcs pelo carinho e pela dedicação com a nossa roda de samba.

Ontem não foi diferente, uma roda armada de “ultima hora” reuniu mais de 200 pessoas na Adega do Baguinho pra dançar e cantar.

Nesse terceiro ano de Samba da Vila nossa musica vem mostrando cada vez mais sua força. Samba puro, sem inventar e sem querer aparecer mais do que a estrela principal. O que nos uni.

Abraços calorosos ao fim de cada samba nos dão a certeza que valeu a pena insistir num repertório taxado como “musica de velho ou musica que só um cara sabe cantar”.

Foi bom insistir, compor e ouvir – diria Jorge Aragão.

 

Terminamos aqui com a certeza de que o samba da Vila vai nessa toada por anos e anos compartilhando com vocês o samba e seus verdadeiros poetas.

 

Bandeira OK para ver

Dia 02 de Dezembro, dia do Samba !

Publicado: 2 de dezembro de 2013 em Uncategorized

Muita gente ainda – acreditem! – não se deu conta da importância do samba para a vida cotidiana.

Samba hoje deixou de ser apenas uma imensidão de tantas, rebolos e pandeiros em disputa pra ver quem bate mais alto.

Tem critério! Noel Rosa dizia:

-Batuque é um privilégio, ninguém aprende samba num colégio!

As rodas estão mais criteriosas em sua grande maioria. Hoje exige um bom retorno, um som de qualidade e instrumentos alinhados com o restante da rapaziada. A coisa esta melhor, já fui em roda que o cavaquinho estava mais alto que a própria voz dos cantores e tal.

Samba tem seu papel de cupido também – Opa! – é uma fonte onde pessoas a procura de uma paixão, vai matar sua sede de amor.

São inúmeros os casos de casamentos, namoros e reencontro de antigas paixões… Coisas da arte.

O samba é acolhedor, traz de volta pessoas excluídas por “amigos” e até mesmo pelos próprios familiares. Que coisa não?

Quem diria aquele monte de bêbados sendo tendo a capacidade de ressocializar pessoas que até por elas mesmas, estavam desacreditada. É a tal da importância que alguns ainda não se deram conta ou sua vaidade lhe impede de ver. Só pra citar Nei Lopes em “Numero Baixo”

O samba faz de você um colecionador de amigos, eu não consigo contar a quantidade de parceiros que consegui depois que “mergulhei” de cabeça no samba.

Claro que é impossível citar nomes, iria cometer alguma injustiça.

Por fim, até o dia do meu juiz final, vou lutar como nunca pra que a Comunidade Samba da Vila continue com esse objetivo. Pois o sábio Candeia já dizia:

-O meu SAMBA é bem melhor assim!

 

Por Alexandre Ciriaco.Bandeira OK para ver

O Brasil perde Delcio Carvalho

Publicado: 19 de novembro de 2013 em Uncategorized

Ontem o sorriso negro se entristeceu

Por Alexandre Ciriaco .IMG_20131030_152639%5b1%5d (2)

A musica brasileira perdeu um de seus mais brilhantes poetas – O que trago dentro de mim preciso revelar – ou ao menos tentar.

Meu primeiro contato com as letras de Delcio Carvalho foi à beira do campo, não me lembro bem qual era  o ano( acho que 88 ou 89), mais sim, de alguns integrantes daquele marcante batuque.

Estávamos eu e meu irmão, Wilson Ciriaco, que iniciava ali seus primeiros acordes no bar do extinto campo do Atlético no Parque Santo Antonio – local onde esta à 92º DP – Naquela roda sem pretensão , nesse caso foi no pós-jogo . Entre tantos sambas ali cantados um marcou pra sempre minha vida:

Sonho Meu!

Já se passava das 15h00min num domingo de sol, quando o Wilsinho – meu irmão – cantou essa brasa.

Alem da belíssima melodia de Dona Ivone Lara a incontestável letra de Delcio Carvalho. É claro que, na época não tinha a menor ideia de quem teria feito essa musica. Mais o fato de um negro alto, com apelido de “Sucego” – exímio centroavante – cair aos prantos abraçando outro irmão que não me lembro do nome, cantando o refrão desta canção em voz alta e embargada após alguns goles de cerveja.

“Trás a pureza de um samba sentido marcado de mágoas de amor”.

Assim que soube da noticia que Delcio Carvalho havia falecido, veio essa musica na minha mente. Triste. – assim como na morte do “Sucego”- lamentei o fato de pouquíssimas pessoas inclusive no mundo do samba, conhecer esse grande compositor. Talvez, Charles Bukowiski tivesse razão quando disse que:

A multidão é o ponto de encontro dos mais fracos.

Por outro lado o ídolo, Paulo Cesar Pinheiro, preciso como sempre – naquela canção com o Gudin-resumiu a passagem desse grande ícone:

Vai, porque a sua missão e de paz. Ser poeta é difícil demais, pra que querer que um coração normal um dia vá te compreender.

Que Deus te receba de braços abertos. Delcio Carvalho, para sempre.

ARTIGO – ALDIR BLANC

Publicado:19/10/13 – 0h00

Seja bem-vindo, Danilo! É meu dever de bisavô não mentir para você. Como escreveu o grande Paulo Mendes Campos, você nasceu no mais estranho dos países. Um país onde o presidente do Senado prega austeridade mas recebia, para refeições caseiras, com a grana da ralé, 20 quilos de camarão dos grandes, 25 de outros frutos do mar, quase 2toneladas (o grifo é meu) de 30 espécies diferentes de carne… Segundo notícias, o parlamentável está comendo em restaurantes e casas de amigos. Não deve estar infeliz. Réu-nan sempre gostou de comer fora. Já teve refeição nas páginas centrais da Playboy.

É um país onde Unidades de Pacificação sequestram, torturam, matam e somem com os corpos dos interrogados. Um país no qual meninas e moças são estupradas e mortas todos os dias. Na sua pátria, Danilo, investigam-se quase 200 traficantes que aterrorizavam São Paulo, mas será feito de tudo para encobrir que as maiores autoridades desse estado estão envolvidas num escândalo que faturou tanto ou mais que o tráfico, em conluio com empresas alemãs. Essas empresas pactuaram com o nazismo de Hitler, inclusive no projeto e construção de fornos crematórios. Esses farsantes paulistas são conhecidos como pfefferfresser (minha palavra favorita para tucano em alemão). São muito moralistas. Seu tataravô, o Ceceu, fazendo 91 anos, louco de alegria com sua chegada, me levava em passeios na Quinta da Boa Vista, que começavam com os cavalos de Nhô Félix e terminavam num imenso corredor com gaiolas de pássaros. Eu perguntava: “Pai, por que as araras fazem tanto barulho e os tucanos, com bicos bem maiores, ficam quietos?”. Eis a resposta de seu tatara, típico morador do Estácio. “Vai ver, filho, os tucanos combinam suas jogadas de noite e depois preferem ficar na moita”. Tá vendo, Danilo, como seu país é imprevisível? O tataravô, apesar de humilde funcionário da Previdência, era profeta e não sabia.

Vivemos em um país, meu bisneto, onde bumbuns femininos são apreciadíssimos, a ponto de um deles ter sido aprimorado com dinheiro público, mas eu não tenho o direito de meter o dedo na obra… Olha só que coisa triste, vozes que já clamaram por liberdade, hoje pedem censura. Artistas consagrados levantam bandeiras contra a subsistência de seus companheiros de classe. Esses trânsfugas, patrocinados por grupos internacionais poderosíssimos, se julgam arautos do futuro. Arautos ricos, claro. Não são descamisados, não. Estão bem por dentro dos eixos. Embora vivamos em uma democracia espionada, há um medíocre rei, que surge nos fins de ano. Ele não perde oportunidade para conchavos, cabalas e meter a mão cheia de anéis em cachês.

A impunidade é espantosa. Não existem ricos presos, embora roubem descaradamente. Rola uma tal base de sustentação (não vou explicar para que você não vomite o leitinho).

Sua mãe, Milena, garante que você será Vasco. Aí, filhote, você vai precisar de muuuiiita capacidade de suportar frustrações e intermináveis sequências de burrice.

Beijo emocionado do bivô Aldir.

Aldir Blanc é compositor

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/pais-estranho-10430190#ixzz2idjkyUZ3
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lamacalpernambuco630enchenteCandeia – sempre ele – em seu samba “viver”, citou uma frase que deveria servir de premissa pra qualquer ação solidaria ou de resistência:

Enquanto se luta se samba também!

Complementando a frase do mestre:

E se solidariza também. E é em cima dessa solidariedade, que unimos nossas forças – não poderia ser diferente- Samba da Vila, Adega, Pais Malio  e muita gente de bom coração para fazer um samba em prol das vitimas das enchentes. Principalmente os moradores da Rua Caruxa que devido ao descaso das autoridades, perderam suas casas e pertences. Sabemos como funcionam as coisas no nosso país – e é claro, na nossa cidade- Se for esperar por ajuda governamental…

Pois bem, essa roda de samba acontecerá na sede do Parque Regina no dia 16/03/2013  as 16:00hs e como dissemos, toda renda e doações serão revertidas a esta causa.

O momento é serio, porque também é seria essa situação.